Em um mercado cada vez mais complexo, o cliente (especialmente o cliente empresarial) espera que o setor jurídico vá além da mera execução de processos. A demanda moderna é por previsibilidade e por uma visão amplificada. Para o advogado que deseja se posicionar como parceiro estratégico, o foco migra da simples análise do direito para a compreensão das implicações de negócio.
Para atender a essa nova expectativa e fortalecer o papel consultivo do jurídico, a Modelagem de Cenários surge como ferramenta indispensável.
O novo mandato da área jurídica
Os clientes, em se tratando de ações judiciais, não querem apenas saber se vão ganhar ou perder, eles precisam de uma análise clara dos riscos, custos e do tempo envolvido em cada decisão.
O sucesso na consultoria estratégica se apoia em três pilares fundamentais:
- Previsibilidade: garantir que o cliente possa planejar sua estratégia e entender os custos envolvidos, eliminando surpresas ao visualizar cenários possíveis.
- Comunicação clara: promover transparência e confiança, evitando respostas binárias (“sim” ou “não”) e falando em termos de negócios, de forma bem justificada.
- Posicionamento consultivo: posicionar o time jurídico como um parceiro estratégico fundamental na tomada de decisão do cliente.
A modelagem de cenários como ferramenta estratégica
A chave para essa transformação é apresentar não apenas a visão jurídica, mas sim opções concretas de impacto e custos. Isso é feito através da Modelagem de Cenários, que detalha as possibilidades em três perspectivas:
- Cenário otimista: representa o êxito total da tese jurídica. O impacto é positivo, como o afastamento integral de uma condenação ou a redução de passivo.
- Cenário realista: foca nas chances mais prováveis e nos resultados intermediários. O impacto é parcial, como uma condenação reduzida ou uma composição em valores intermédios.
- Cenário pessimista: reflete o resultado desfavorável, como a manutenção integral da condenação. O impacto é negativo e envolve custos totais estimados, incluindo honorários e custas.
Em cada um desses cenários, é crucial ponderar e quantificar fatores que transcendem o mérito legal, como:
- Tempo de duração do processo (1ª instância, recursos, STJ/STF).
- Custos processuais e honorários.
- Impacto na imagem da empresa (publicidade negativa, mercado).
- Risco de efeito multiplicador (decisão que estimula outros litígios).
- Chance de acordo vs. custo de litigar.
Adotar essa abordagem estratégica transforma o núcleo jurídico de um mero “executor de processos” em um consultor estratégico do cliente. Ela não só proporciona uma compreensão mais clara da relação custo-benefício de cada decisão, mas também fortalece a confiança, pois a empresa entende todas as variáveis envolvidas e pode tomar decisões informadas para a defesa ou para a busca de acordos.






