O QUE É CAPITALISMO CONSCIENTE?

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Por indicação do colega Hugo Bethlen recentemente li o livro “Capitalismo Consciente”, cujos autores são John Mackey e Raj Sisodia. Mackey é o CEO da Whole Foods Market, líder mundial na venda de alimentos naturais e orgânicos, com mais de 340 lojas espalhadas pelos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá e cujas prateleiras são reconhecidas por abrigar somente produtos de altíssima qualidade e, de forma geral, relacionados a uma alimentação saudável. Já Raj é professor e pesquisador, além de Autor de sete livros sobre organizações e negócios, obras estas realmente fantásticas.

Lendo o livro, entendi que ganha força entre as empresas mundiais a consciência de que sua contribuição para a sociedade vai além da geração de lucro, renda e empregos. As crises econômicas, sociais e ambientais têm levado líderes empresariais a repensar o propósito de seus empreendimentos e o papel dos negócios em um mundo saturado dos velhos paradigmas. Sintonizados com os novos tempos, gestores pioneiros impulsionam um modelo de desenvolvimento que ganha cada vez mais adeptos no mundo corporativo. O capitalismo consciente reside essencialmente na ideia de que as empresas devem ter uma motivação maior do que apenas a busca de lucro a qualquer preço. Os criadores da obra – John Mackey e Raj Sisodia – explicam como algumas empresas aplicam os princípios deste movimento inovador na construção de estruturas sólidas e lucrativas. O livro oferece uma defesa ardorosa e uma redefinição consistente do capitalismo de livre-iniciativa, em uma análise valiosa tanto para os profissionais como para as empresas que apostam em um futuro mais cooperativo e mais humano. Segundo o raciocínio do Capitalismo Consciente, é possível que as empresas contribuam para o bem-estar da sociedade ao mesmo tempo em que geram lucro para seus acionistas.

Em minha leitura procurei saber quais empresas estariam dispostas à aderir ao movimento e alegrou-me constatar que grandes companhias como Natura, Google, Southwest Airlines, Whole Foods Market, Patagonia, BMW, UPS aderiram à prática de promover o “capitalismo consciente”, sendo que todas elas incorporam em sua gestão aspectos construtivos e promissores do capitalismo, atuando de maneira a criar valor não só para si mesmas, mas também para seus clientes, funcionários, fornecedores, investidores,  comunidade e meio ambiente.

A prática é voltada para a condução de negócios – aplicada por grandes corporações, empresas, entidades sem fins lucrativos e outras organizações – que cria, simultaneamente, diferentes valores para todas as partes interessadas como financeiro, intelectual, físico, ecológico, social, cultural, emocional, ético e até mesmo espiritual.

Os pilares que fundamentam o conceito de Capitalismo Consciente são:

·        Propósito elevado: fortes valores que vão além do lucro e que inspiram, envolvem e energizam o empresário, bem como os colaboradores e consumidores, que, engajados, confiam e até mesmo amam essas empresas.

·        Cultura consciente: cultiva o amor e o cuidado e desenvolve uma relação de confiança entre os membros da equipe da empresa e seus investidores. Em algumas das empresas mais bem-sucedidas e amadas, a cultura consciente parece ser palpável, pois é baseada em confiança, integridade e transparência.

·        Liderança consciente: o papel do líder consciente é servir ao propósito da organização para buscar o que há de melhor em seus colaboradores, promovendo transformações positivas e agregando valor para consumidores e investidores.

·        Orientação para todos os envolvidos no negócio: empresas conscientes maximizam retornos para todos os envolvidos em seu negócio — colaboradores, consumidores, comunidade, governo e investidores — e entendem que, tendo todos envolvidos e engajados, é possível formar uma empresa forte, saudável e sustentável.

O Capitalismo Consciente é uma nova maneira de pensar sobre o Capitalismo e os negócios, refletindo onde estamos e aonde queremos chegar em termos de evolução humana. Empresas conscientes são movidas por um propósito maior, compreendem os seus stakeholders (partes interessadas/rede de relacionamentos) de maneira ampla, possuem uma liderança consciente que estimula uma cultura consciente. O movimento parte da crença de que o Capitalismo Consciente é importante pois cria valor; é ético pois se baseia em trocas voluntárias; é nobre porque pode elevar a existência humana, e também é heroico pois tira as pessoas da pobreza e fomenta prosperidade para todas as partes interessadas.

O capitalismo baseado no lucro em primeiro lugar não se sustenta mais e tende a ser substituído por um novo modelo econômico, onde a principal razão de existir de uma empresa não é mais o seu resultado financeiro, mas o seu propósito e a diferença que ela faz na vida das pessoas. Ter um propósito de contribuição para a sociedade; Tratar os stakeholders de forma equânime; Ter a liderança da empresa comprometida com a transformação social do país; Construir uma cultura consciente que traduza valores em ações; são os 4 drivers de uma avaliação de consciência empresarial do Capitalismo Consciente, que é um movimento global que existe e está trabalhando ativamente para transformar o mundo por meio da inspiração de negócios conscientes, sustentáveis e inovadores.

Ao final do livro fiquei muito feliz ao saber que o novo capitalismo – consciente –, promove a proteção social das pessoas e do meio ambiente, liberando o espirito empreendedor para o bem. É o capitalismo do futuro, que é real e está acontecendo exatamente agora.

Para mais informações, acesse o site https://www.ccbrasil.cc/

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